♃, ♄

júpiter, saturno

1739


- que que vc fez hoje
- vi 1739 desenhos
- ah
- eh

ლ(´ڡ`ლ)


ʎʞs pǝɹ sɹɐɯ ɹǝpun sƃuıʍ ǝɥʇ dɐlɟ

ô ruiva peituda que vi no mogwai

toda camiseta estampada deve sonhar em ser deformada por uns peitões.

acordar; fazer um bom coque; atravessar o vale em uma carroça; rezar; beijar três vezes a testa de uma Nagaraja (Rainha das Serpentes); esperar chover










s˙o˙s

xx: oi
me: oi
xx: ta ocupada
me: ssim muinto
xx: mmpf
me: sei escreve d cabeca p baix olha
oxıɐq ɐɹd ɐçǝqɐɔ ǝp
xx: me ensina
me: oɐu
xx: :(
me:
hahaha
ɐɥɐɥɐɥ
xx: xata
me:
fica espelhado
ɟıɔɐ ǝsdǝlɥɐpo
me: 
socorram-me subi no onibus em marrocos
soɔoɹɹɐɯ-ɯǝ snqı uo ouıqns ǝɯ ɯɐɹɹoɔos
xx: 
x__x
me: vc ñ acha q podia às vezes a gravidade ñ funcionar
xx: soh
me:
luz azul
lnz ɐznl
roda esse corpo processe a dor
ɹopɐ ǝssǝ ɔoɹdo dɹoɔǝssǝ ɐ poɹ
a base do teto desaba
ɐ qɐsǝ po ʇǝʇo pǝsɐq ɐ

à noite no lago do parque o negro cisney

travesseirinho bordado para o menino Airam que está dentro de uma barriga prestes a sair

Ψ( ̄(エ) ̄)Ψ ♡

coloradoprotegido<3
(;﹏・)rip

mishmash


As frutas estão na varanda as roupas estão na cozinha as tintas no chão do banheiro os livros ao lado da cama os sonhos embaixo da pele sous entes om redi zitro & no lugar do coração me vê por favor um fígado extra por favor um ou dois.

guelra

quando o desenho não está bom jogar um em cima do outro de modo que não é possível ver eles

2 orgias selecionadas


Por David Shrigley


Por Brecht Evens

☆ノ

Credit: Marian Murdoch (http://www.wildmaven.org)Quanto tempo será que isto ainda vai durar, esta vida. Duas madrugadas atrás, como sempre acontece em abril, desde muito antes de abril existir, a Terra passou pelo fluxo de detritos do cometa Thatcher, que tem sido observado há 2600 anos, portanto, há pelo menos 949 mil madrugadas. Corpos que se desintegram e queimam geram a Chuva de Meteoros Lirídeos, assim nomeada pois parece vir da constelação de Lira, assim nomeada por causa da lira de Orfeu – músico, poeta, feiticeiro, seu nome talvez seja um composto de escuridão, órfão, lamento e jogar feitiço – de nome em nome, toca-se no milagre. Às 2h34 saí na varanda e olhei para o céu claro e roxo, não havia nenhuma estrela, passaram apenas 2 fuscas, 1 corsa, 1 moto, 4 mendigos, vira-latas, e se o céu estourasse? Agora estamos no ciclo de atração em que os horizontes são largos mas, conforme nos aproximarmos, se nos aproximarmos, será que o mundo vai se expandir (júpiter) ou esbarrar em limites (saturno)? Pois já vi as paredes, o feijão, as rugas, o alcoolismo e as formigas, demônios conhecidos e desconhecidos, um homem deitado sobre todas as mães e uma mãe com olheiras pretas suportando desaforos, não há motivo para continuar com isso. Vamos apreciar, então, quatro trechos descontextualizados e não traduzidos de Cormac McCarthy em The Road:

p. 78
Or perhaps the last music on earth called up from out of the ashes of its ruin. The man turned and looked back at him. He was lost in concentration. The man thought he seemed some sad and solitary changeling child announcing the arrival of a traveling spectacle in shire and village who does not know that behind him the players have all been carried off by wolves.

p. 129
He was beginning to think that death was finally upon them and that they should find some place to hide where they would not be found. There were times when he sat watching the boy sleep that he would begin to sob uncontrollably but it wasn’t about death. He wasn’t sure what it was about but he thought it was about beauty or about goodness.

p. 274
The road crossed a dried slough where pipes of ice stood out of the frozen mud like formations in a cave. The remains of an old fire by the side of the road. Beyond that a long concrete causeway. A dead swamp. Dead trees standing out of the gray water trailing gray and relic hagmoss. The silky spills of ash against the curbing. He stood leaning on the gritty concret rail. Perhaps in the world’s destruction it would be possible at last to see how it was made. Oceans, mountains. The pounderous counter spectacle of things ceasing to be. The sweeping waste, hydroptic and coldly secular. The silence.

p. 286
On their backs were vermiculate patterns that were maps of the world in its becoming. Maps and mazes. Of a thing which could not be put back. Not be made right again. In the deep glens where they lived all things were older than man and they hummed of mystery.

x___x

Quando você está deitado no chão de camisa azul clara apertadinha na barriga e de repente levanta decidido e aluga um caminhão e o reveste por dentro com cetim azul escuro brilhante estrelado, tapete branco peludo, almofadas de coração, velas, champagne, castiçal e rosas amarelas e contrata um homem de bigode e uma puta e os deixa no baú do caminhão se conhecendo melhor enquanto você come amendoim de óculos escuros e três brincos, então o amendoim se transforma em trufa, é isto que este clipe está tentando dizer?

.

 

a morte; a louça pra lavar; distrações (feitiços); 5 trechos de Cassirer, Ernst, “An Essay On Man”, 1944 (tradução livre)


“(…) todos nós sentimos, vagamente, em meio à neblina, as infinitas potencialidades da vida, que silenciosamente aguardam o momento em que serão convocadas da dormência para a luz brilhante e intensa da consciência (…)”

“(…) o olho artístico não é um olho passivo que recebe e registra a impressão das coisas. É um olho construtivo, e é apenas com atos construtivos que descobrimos a beleza (…)”

“(…) o próprio Shakespeare ilustrou essa ideia em sua descrição da imaginação do poeta:

O lunático, o amante, o poeta
são inteirinhos só imaginação:
um vê mais diabo que o tanto admissível no inferno em sua vastidão,
esse é o louco; o amante, todo alucinado,
vê a beleza de Helena numa cara egípcia;
o olho do poeta, rolando num frenesi sublime
passa da terra ao céu, do céu à terra;
e como a fantasia encorpa
as formas das coisas desconhecidas, a pena do poeta
as define e dá ao nada aéreo
um habitat e um nome.

Embora a concepção romântica da poesia não encontre solidez em Shakespeare (…)”

“(…) ninguém negaria que a obra de arte nos dá o prazer mais elevado, talvez o mais durável e intenso de que a natureza humana é capaz (…) por outro lado, todas as teorias hedonistas da estética tem os defeitos de suas qualidades”

“(…) em barro, bronze, mármore – mas em formas sensíveis, em ritmos, em cores”

o assunto que mais gosto de conversar é tio e tia

Porque não devemos pagar impostos. Por que não estamos na praia? Por que, amor, sequer conheci sua letra de mão?

O imposto de renda,
as galinhas,
patinhas de aranha,
as secretárias do governo,
o FMI,
a cor das penas dos dinossauros,
a Islândia,
a Finlândia,
ilusões.

As cartinhas: não param de chegar. Não são cartinhas de amor, são as cartinhas do contador. Felizmente possuo papel de carta de caveira. Acompanha envelope rosa de caveira. Procuro a Desobediência Civil para enviar ao contador. Encontro outro livro, um que há tempos quero dar a uma amiga, escrevo a dedicatória:

“Querida _ _ _ _ _ ,

Um dia fui à manicure sem avisar e ela estava ocupada fazendo um pé. Na rua havia um pequeno sebo e resolvi comprar este livro para ter o que ler enquanto esperava. Os cinco primeiros contos me encantaram e pensei o tempo todo em você: são simples, sábios, absurdos, tão parecidos com o seu jeito de falar. Esta é a minha autora favorita, ela era do seu signo. Me conte depois se gostou.

Com amor, A.P.”

Depois encontro a Desobediência Civil entre um relógio parado, uma rosa seca e um calendário de 2002:

“Caro contador,

Suas cartas a respeito dos impostos a pagar estão aqui, empilhadas. Confesso que às vezes não entendo uma palavra do que você diz. Gostaria que iniciássemos uma conversa em outros termos. Por favor, envie um trecho de livro que você tenha grifado durante a adolescência. Proponho um debate a partir dos seguintes:

1) ‘Não é por nenhum item específico da lista de impostos que me recuso a pagá-lo. Simplesmente desejo recusar sujeição ao Estado, afastar-me dele e manter-me à parte de modo efetivo. Não me interessa traçar a rota de meu dólar, mesmo que pudesse, até o ponto em que ele compre um homem ou um mosquete para matar um homem – o dólar é inocente -, mas a mim interessa rastrear os efeitos de minha sujeição. Na verdade, serenamente declaro guerra ao Estado, a meu modo, embora eu ainda possa vir a usá-lo e obter dele as vantagens que puder, como é comum nestes casos. (…) A autoridade do governo, mesmo aquela a que estou disposto a me submeter – pois obedecerei com prazer àqueles que saibam e possam fazer melhor do que eu, e, em muitas coisas, mesmo àqueles que não possam fazer tão bem -, é ainda uma autoridade impura: para ser rigorosamente justa, ela deve ter a sanção e o consentimento dos governados. Não pode ter nenhum direito puro sobre minha pessoa e meu patrimônio, apenas aquele que lhe concedo. O progresso de uma monarquia absoluta para uma monarquia limitada e desta para uma democracia é um progresso no sentido de um verdadeiro respeito pelo indivíduo. Mesmo o filósofo chinês foi sábio bastante para ver no indivíduo a base do império. Será a democracia, tal como a conhecemos, o último desenvolvimento possível em matéria de governo? Não será possível dar um passo mais além no sentido do reconhecimento e da organização dos direitos do homem?’ (THOREAU, Henry David, A Desobediência Civil)

Sensato, certeiro, puro, ingênuo? E tem mais:

2) ‘Que ocupação maravilhosa é cortar a pata de uma aranha, metê-la num envelope, escrever Senhor Ministro das Relações Exteriores, acrescentar o endereço, descer a escada aos pulos, botar a carta no correio da esquina.

Que ocupação maravilhosa é tomar o ônibus, descer em frente ao Ministério, abrir caminho a golpes de envelopes com selos, deixar para trás o último secretário e entrar, fime e sério, na grande sala de despachos toda de espelhos, no momento exato em que um contínuo vestido de azul entrega uma carta ao Ministro, e vê-lo abrir o envelope com cortador de papel de origem histórica, enfiar dois dedos delicados e retirar a pata da aranha e ficar olhando, e então imitar o zumbido de uma mosca e ver como o Ministro empalidece, quer tirar a pata mas não consegue, está agarrado pela pata, e dar-lhe as costas e sair assobiando, anunciar nos corredores a renúncia do Ministro e saber que, no dia seguinte, entrarão as tropas inimigas e tudo irá para o inferno e será uma quinta-feira de um mês ímpar de um ano bissexto.’ (CORTÁZAR, Julio, Histórias de Cronópios e de Famas)

Podemos ir ainda mais longe, caro contador:

3) ‘Ei, temos muito trabalho pela frente hoje
vamos tocar no prédio do governo
precisamos fazer as secretárias se sentirem melhor
enquanto botam os selos nas cartas
ah, eles têm tantas mesas e cadeiras legais!
é, lá no prédio do governo
mas nós temos que fazer as secretárias se sentirem melhor
enquanto selam as cartas
não vamos parar enquanto as secretárias não sorrirem
e os office boys, temos que vê-los pulando de alegria’
(The Modern Lovers, Government Center)

Podemos citar o Millôr, que disse, ‘o progresso era maravilhoso quando não progredia tanto’; podemos reler esta matéria sobre a recuperação econômica da Islândia e suas consequências políticas e vice-versa – observando, é claro, que o tamanho da população da Islândia é bem menor que o de M’boi Mirim e só um pouco maior que o da subprefeitura da Lapa; podemos verificar este sistema para criação de leis de iniciativa popular que está sendo testado na Finlândia, quantas leis como a Ficha Limpa podem surgir?; podemos inclusive olhar em volta e admirar a insanidade e tentar entender e perceber que o tempo está passando, serão as galinhas miniaturas de dinossauros?, e lembrar a frase do Borges, ‘democracia, uma superstição de estatísticas’. Há tanto por estudar, caro contador, e no entanto, você só me envia estes formulários, que decepção.”

adeus


1 gorila estrábico; 1 astronauta; 1 porca e 1 porquinho

eos

andar a pé e desenhar são boas desculpas para ouvir música
há algumas horas a lua estava amarela e turca
o shuffle trouxe taquicardia, excitação, arrebatamento, saudades, concentração, tristeza, vazio, desalento, calma, coragem, alegria, amor
enquanto isso, foram desenhados:
7 peixes;
3 russos;
1 gorila estrábico;
1 astronauta;
4 limões;
1 garrafa de uísque;
1 maçã;
1 vulcão;
1 mulher de sutiã usando 1 computador gigante;
1 mulher de sutiã amordaçando 1 homem;
1 porca amamentando 1 porquinho;
1 frigideira com 1 bife a cavalo;
1 corvo;
8 esqueletos;
dezenas de caveiras, estrelas e gotas de chuva;
3 tias e 1 tio;
1 uva;
1 urso.
agora, a alvorada
desenhar de madrugada é uma boa desculpa para ver o dia nascer.

existe amora em sp

embora um tenha sido baleado por vingança
e a mendiga que dorme enroladinha em frente às óticas Carol ainda esteja lá, solitária, de olhos molhados (seus cabelos estão embranquecendo)
é bom saber que hoje os jovens foram ao minhocão dançar
e que as amoreiras do bairro produzem excelentes geleias


(sequência de fotos originalmente publicada em Touro Bengala)

bo

equinócio

long
snake
moan
“uma vida excepcional são três dias excepcionais” é o tipo de frase que você lê e decora, tem muitas assim nos cantos deste poema melancólico (“um homem é as 10 palavras fundamentais que usa, os 3 amigos que tem e as 5 ações mais importantes que fez”), será que foi excepcional este dia que começou com meio litro de café e um homem que quando lhe perguntam “que lhe passa pela cabeça quando você toca bach?” responde apenas “cores”, “que cores?”, “cores” e um mapa muito útil dos vulcões em io, uma das luas de júpiter, enquanto na terra simultaneamente começava o outono austral e a primavera boreal, efeméride que levou jimmy page a lançar “lucifer rising”, a trilha que ele fez em 1972 inspirado em aleister crowley para um curta satanista mas até hoje não tinha entregado (o diretor do filme praguejou que por isso page viraria um sapo mas aparentemente ele não virou, ou se virou ninguém percebeu, o physical graffiti foi mesmo uma confusão), porém quem que queria mexer com filme de vodu bem no meio da tarde, voltas e voltas em volta do lago com a pj chamando amor muito alto nos headphones (quer dizer, música de vodu, deu na mesma), o lago muda de cor no decorrer do dia e da noite como aqueles olhos de lago que também devem ser de espelho e tempestade e quando escurece é hora de caminhar até a cinemateca para a vingança, “a noiva estava de preto” e disse que “não existem otimistas ou pessimistas, apenas imbecis alegres e imbecis tristes”, será que foi? não, excepcional não foi.

A Ponto e o Linha


Era uma vez um sensível Linha loucamente apaixonado por uma Ponto. “Você é o começo e o fim, o eixo, o cerne, a quintessência”, ele disse com ternura, mas a frívola Ponto não estava nem aí, ela só tinha olhos para um selvagem Rabisco rústico que nunca parecia ter nada na cabeça. Eles andavam sempre juntos, cantando, dançando, marchando, rindo, gargalhando e dEUS sabe o que mais. “Ele é tão vivo e desinibido e cheio de alegria”, ela dizia em êxtase, “e você é duro como um taco! Alto, antiquado, caretinha e sem graça!” Então o Linha pensava, “Pra que insistir?”, sem muita convicção. “Deixa ela. Eu sou independente, consistente, eu sei pra onde estou indo! Tenho dignidade!” Mas isto era só um consolo passageiro para o miserável Linha. A cada dia ele ficava mais amuado. Parou de comer e dormir e pouco antes de atingir completamente o limite, seus amigos perceberam seu estado lastimável e fizeram de tudo para animá-lo. “Ela não é boa o suficiente para você!”, “Ela não tem classe!”, “Por que você não acha uma linha reta e sossega?!?” Mas ele mal ouvia uma palavra do que diziam. De cada jeito que olhava para a Ponto, ela era perfeita. Ele via coisas nela que ninguém podia imaginar. “Ela é mais bonita que qualquer linha reta que eu já vi!”, ele suspirava. Mas ela nem tchuns pra esses sentimentos. Ele passava os dias sonhando com a inconstante Ponto e imaginando como ser fodão no mundo para impressioná-la: “O Temerário Linha!”; “O Linha, Líder dos Negócios Globais!”; “O Linha, Destemindo Agente da Lei!”; “O Linha, Força Potente no Mundo das Artes!”; “O Linha, Atleta Internacional!” Mas ele logo se cansou desse auto-engano. E pensou que talvez o estilão do Rabisco pudesse indicar algo, afinal de contas. “Sinto falta de espontaneidade. De liberdade. De expressar minha paixão interior!” Mas pensar essas coisas não fazia nenhuma diferença. Por mais que ele se esforçasse e se debatesse, sempre acabava do mesmo jeito: uma linha reta. Continuou tentando e falhando e tentando de novo e quando estava quase desistindo, descobriu finalmente que com muita concentração era capaz de: se dobrar! Então ele se dobrou! E formou: UM ÂNGULO! Então outro e outro e outro e outro e outro e outro! “É quente!”, ele gritou. E foi formando um fuzuê de dobras e ângulos! Mas na manhã seguinte, observou: “A liberdade não é desculpa para o caos”. E decidiu não desperdiçar seus talentos num exibicionismo barato. Durante meses, o Linha praticou em segredo. Logo estava produzindo retângulos! Triângulos! Hexágonos! Paralelogramos! Rombóides! Poliedros! Trapézios! Paralelepípedos! Decágonos! Uma infinidade de formas! Tão complexas que ele teve que dar letras para nomear cada ângulo. Logo conseguiu controlar cuidadosamente as elipses. Círculos. Curvas complexas. E para se expressar, ele era capaz de criar a forma que desejasse. Mas, sozinho, seu sucesso não significava nada. Então ele resolveu ir atrás da Ponto de novo. “Oh lá vem você! Você não tem chance!”, ela disse. Mas o Linha estava cheio daquele antigo amor e uma nova confiança. E não seria rejeitado. Porque agora ele era: deslumbrante! Inteligente! Misterioso! Fractal! Eloquente! Profundo! Enigmático! A Ponto contemplava suas formas e tava que tava! Ela quicava pra lá e pra cá feito uma colegial que não sabia onde enfiar as mãos! Então ela virou pro Rabisco e disse “Oh, bem. E aí hein?!” O Rabisco, pego de surpresa, fez o melhor que podia, a bagunça de sempre. “Isso é tudo?” ela perguntou. “Acho que sim”, respondeu o miserável Rabisco. “Eu nunca sei o que vou virar e… ei, ei!…” A Ponto nunca tinha notado o quão grosseiro, desamarrado e sem graça era o Rabisco. E logo percebeu que o que parecia liberdade e alegria era na verdade preguiça e anarquia. “Você é tão sem sentido quanto um melão!”, ela disse. “Sem disciplina, insignificante, indeterminado, sem forma, sem ordem, sem lugar!” Nisso ela virou pro Linha e se encantou. “Ei, faz aquilo de novo!” E ele fez!

(tradução livre com invenções da animação “The Dot and the Line: a Romance in Lower Mathematics”, 1965, MGM, baseada no livro homônimo de Norton Juster. Quem animou foi Chuck Jones, diretor de muitos Pernalonga, Patolino, Coiote e Papa-Léguas. E Norton Juster é autor desta joia.)

(moral: o Linha está para Jonathan Richman assim como o Rabisco está para Hippie Johnny)

△△△

Hí inguln mosos silgtoa zoni ztamoati voz le ch˜ie de Micunonô (mous zós silgtotom) hejo venre ní ziti zotdot e celrtono, quote dzpot, tocyzotí-ne.

camisetas



Ouvindo o Magical Mistery Tour no repeat, misturando pimenta com açúcar e fazendo pausas para observar formigas, raios e chuva, minha vizinha Helena e eu produzimos uma série de camisetas que agora estão aí penduradas nestes cabides até que alguém venha pegar:

Tudo começou como uma forma de agradar a Heloísa, vulgo Lili, Cachos ou Peitos. Pois Heloísa Cachos-Peitos von Lili tem criado lindas coreôs urbanas para a canção Rock Lobster, do B-52′s, então resolvi desenhar essa estampa especialmente para ela:

Aí, pra aproveitar o corre até a galeria, mandei fazer também uma tela para este desenho um tanto esquisito chamado Moletom do Dark Side Of The Moon Com Olhos Na Touca, produzido em momento de perturbação (o arco-íris será pintado à mão):

e este, Cat Power de Patins em Cross Bones Style:



Por enquanto é isso. Se você quiser uma dessas que estão prontas e seu tamanho é P ou M, é só vir buscar. Para os amigos é grátis e sempre será. Mas se preferir esperar a segunda leva, vai ser melhor, já aprendemos a segurar a tela na tábua de passar e teremos novas estampas com desenhos mais esquisitos.

correr sem sapatos de fone e olhos fechados







Primeira queda
Segunda queda
Terceira queda
Quarta queda
Quinta queda
Sexta queda
Sétima queda
Inferno
Céu

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